16/06/2010

TRISTE FIM.

TRISTE FIM.


Hoje sentado a beira do caminho
Analiso se um dia fui mesquinho
Por querer para o meu filho
Felicidade amor e carinho
Sou um pai amargurado
Que ao ver um filho acabado
Nada pôde fazer
Num dia de sol a pino
Maria traz ao mundo um menino
Orgulho do pai ele vai ser
Crescerá feliz e confiante
Na cabeça um desafio constante
Como sobreviver
Minha sina começou cedo
Trabalhar em qualquer emprego
Para ele poder crescer
Tinha uma meta em mente
Trabalhar incansavelmente
Para o menino ser gente
Estudar ser alguém na vida
Não ser qualquer um a deriva
Como tantos que vi morrer
Sou analfabeto não nego
Mas não tive o privilegio
Que a ele quero oferecer
Escola , estudo e formação
Tudo que dizem que é bom
Para um grande homem nascer
Ele cresceu achando que um dia
Diferente da maioria
Ele seria educado e feliz
Mostrei a ele o caminho
Escondi apenas um pouquinho
Do mundo ruim e mesquinho
Que eu aprendi a ver
Lutei com dignidade
Sofri com as maldades mas segui
Meu filho já adolescente
Já não parecia contente
Como deveria ser
Revoltado com a situação
Tratado como ladrão
Onde não deveria ser
Onde tanto estudo havia
Era onde ele mais padecia
Por filho de pobre ele ser
Humilhado e sempre julgado
Por aqueles que da elite se dizem
Pra ele impuseram limite
Jamais alguém ele ia ser
Eu que ensinei ao meu filho
Que dinheiro não é tudo
Estudo é um bem para o futuro
Já não sabia entender
Um país tão cheio de diferenças
Cores, riquezas e crenças
Porque ele tem que sofrer?
Um dia desacreditado
Da vida meio cansado
Para o trabalho se foi

Numa esquina desgovernado
Um filho de juiz embriagado
Com o carro nele foi bater
O coitado naquele chão estirado
Com braços e pernas quebrados
Esperando um resgate aparecer
No hospital publico sem vaga
Num corredor esperava
A dor desaparecer
Sem cirurgião de plantão
Pra sempre aquela situação
Ele iria sofrer
Mesmo depois de curado
Com tantas seqüelas desanimado
Trabalho era ilusão
Pra muitos ele era aleijado
Trabalho só pra operário
Que se dizem padrão
O filho do juiz por ai solto
Bebendo e matando a gosto
Cadê a justiça e prisão?
Sem trabalho , sem objetivo
Na rua vagando encontrou um amigo
Que a ele apresentou a solução
Que tristeza meu Deus
Eu um pai tão presente
Nessa hora tão carente
Não sabia o que fazer
Meu filho um tesouro amado
Por causa dos descasos
Vive nas ruas a sofrer
Por causa de um inconseqüente
Meu filho hoje um farrapo de gente
Nas drogas foi se perder
Já tentei tudo que podia
Conselho, remédio religião
Nada tira meu filho
Dessa terrível aflição
Mais um dia de procura
Hoje naquela rua
Vi meu filho morrer
Depois de uma hora agonizando
Sua vida se acabando
Seu suspiro pude ouvir
Pai perdão por esse fim
Não queria ser assim
Mas a droga me venceu.
Não deixe de contar aos outros
Que a vida só tem gosto
Se a droga tiver fim.
Vai com Deus filho querido
Aos outros prometo ajudar
Sua morte não foi em vão
Lutarei com paixão
Para esse país melhorar.

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